Apócrifo, 14,7

Distraia-se!
Distraia-se!
Ninguém vai
aos céus.

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Esqueceu-se de propósito que Pero Vaz de Caminha fez pajelança em Pindorama, por isso não deram ciência que o chamassem de Xamã de Caminha.

*

eu sou muito malfeito
malfeitíssimo
de boas
si uis bellum, para pacem
pirocóptero
Sunrise: A Song of Two Humans

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Que mira boa, Manuel Bandeira!
Horace Smith & Daniel B. Wesson
tinham caras de pernas estúpidas
não nos cabe ofender boas mulas
veja muito que bem, boas mulas
nunca atiraram com armas de fogo.

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PORTUGAL

O da portuguesia ensina ao bisavô que esconde a idade a levar as mãos ao chão e a dizer: “malembe, mãe senhora!”. Quando tudo estava quieto, dizia aos amigos pelo pombo correio: “acuda-me! acuda-me! meu bisneto é macumbeiro!”. E, quando queria começar a tagarelar, dizia: “a coisa tá preta…”. Cala boca, bisavô!

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Meus Pêsames!
Que a terra lhe seja leve!
Que tudo o mais vá pro inferno, Ana de Sousa.
Toca o foda-se.
Enfia o pé na jaca!
Viva Zumbi!
JINGA!!

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BETTER THAN NOTHING

melhor
que nada

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a prosa para mim é o tai-chi.

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flaco priapo
as brochadas
das iguanas

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isto é só um meeting. dura o quanto ela aturar.

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action reading

gaguejar. sim, sincopa.

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adoro uma sofrência

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dedo no cu & gritaria
como dizem os jovens
um velhote de 81 anos
chamou-me jovem

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AQUELE (SIM, O MAIS ÚNICO)

Quando aquele aparece no instagram, o que me sai pelos poros é aquilo: ô lá em casa.

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BONETOWN

Você ganhou “um doce” de uma amiga. Aos 42 anos sabia muito bem o que isto queria dizer. Tudo se dava às claras. É esperto. Presta muito. O Bonetown presta. Cai dentro.

André Capilé

André Capilé (n. 1978) nasceu em Barra Mansa, cidade do interior sul fluminense, no Brasil. Graduou-se em Filosofia na UFJF. Mestre em estudos literários, Doutor em “literatura, cultura & contemporaneidade”, pela PUC-RIO. Atua como colaborador na Editora TextoTerritório em suas diversas frentes de trabalho, faz parte do conselho editoral da Edições Macondo e é co-editor da revista escamandro. Publicou, entre outros, rapace, chabu e rebute, pela editora TextoTerritório; balaio, pela coleção megamini da 7letras; muimbu e paratexto, pela Edições Macondo. publicou, ainda, “A canção de amor de J. Pinto Sayão”, tradução de “The love song of J. Alfred Prufrock”, de T. S. Eliot, pela Edições Macondo, em sua nova coleção: Herbert Richers. Em 2020 publica a tradução de “don’t call us dead”, de Danez Smith, pela Bazar do Tempo, com o título: “não digam que estamos mortos”.

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