UM PAÍS PARA A LÍNGUA: A PARTIR DO TXON-POESIA

José Oliveira Pinto


Não, aqui não há mais beleza do que em qualquer outro lugar (…) – no entanto há muita beleza aqui, como há muita beleza em toda parte.
Rainer M. Rilke, “Cartas a um jovem poeta”

Há uma idade em que se ensina o que se sabe; mas surge em seguida uma outra em que se ensina o que se não sabe: a isso se chama procurar.
Roland Barthes, retirado do Instagram da livraria Paralelo W


A metáfora é o tempo em que vivemos

Ler poemas é perigosíssimo, porque pode conduzir-nos ao lado de lá das palavras e impelir-nos, às vezes até de um modo inesperado e mesmo violento, a começar a amar em demasia, alargando o nosso coração a amplitudes que não supúnhamos que pudessem existir. Habitualmente, o modo de vida que se viveu até hoje adiava a realização dos talentos e competências pessoais para o dia seguinte, até que a morte chegava e, na maioria das vezes, aquele apelo intuitivo para as coisas, havia sido reprimido a um ponto em que a pessoa sentia que não viveu o que realmente quis viver, fazer o que realmente quis fazer e procurar ser o que em verdade se é. E agora?

A pandemia da Covid-19 fragiliza e a catástrofe desnuda o que é essencial. Assistiu-se, aquando do surto, a um pânico geral súbito, com raízes psicológicas num desespero latente, sobretudo pelo medo permanente de morrer, exponenciado pela desinformação, notícias falsas e uma obsessão generalizada de controlo, obviamente da situação, que é, aliás, à luz do conhecimento psicodinâmico, adquirida a partir do segundo ano de vida do bebé, de acordo com Strecht, em que este desenvolve o controlo da urina e das fezes para as libertar no único sítio socialmente aceite, que é a sanita, despertando assim sentimentos de obediência ou culpabilidade relativamente ao sistema de regras. Talvez se possa compreender porque é que os stocks de papel higiénico tenham esgotado dias a fio. Mas não há nada de novo aqui: o medo de morrer já existia e a necessidade de controlo é basilar à vida, com ênfase nas culturas ocidentais.

Um pouco por toda a parte observa-se uma necessidade de reconfiguração do que nos move, dentro do que podemos dizer que, apesar do descontrolo global, ainda controlamos. E a que é que se passa a dar valor neste contexto, que nos motive a viver o dia-a-dia? O que significa atribuir valor? As coisas, o mundo e as pessoas têm o valor que lhes são atribuídos. E, embora esta ideia seja aparentemente ingénua, notamos, por outro lado, o crescente valor atribuído a discursos populistas, que procuram manipular, confundindo ideias com emoções, cujo fundamento assenta na negação do que é evidente aos sentidos – ao que é científico –, com a intenção de manter a estrutura de poder, muitas vezes apenas por amor ao poder. Cremos que não se deve hesitar no momento de valorizar e defender a procura do que é, por um lado, objetivo, factual e evidente e, por outro lado, espiritualmente profundo, ou seja, o que, na sua essência invisível, é.

Morin reforça que se abandone a visão unilateral que define o ser humano exclusivamente pela racionalidade, pela técnica, pelas atividades utilitárias e pelas necessidades obrigatórias. O ser humano racional é também o dos afetos, do mito e da loucura. O ser humano do trabalho é também o do lazer. O ser humano empírico é também imaginário. O ser humano da economia é o do consumismo. O ser humano rotineiro é também o da poesia, ou seja, do entusiasmo, da participação, da magia, do êxtase. Do amor.

A contracorrente poética é, aliás, uma das contracorrentes promissoras do final do século passado, que o filósofo francês considera ser a contracorrente de resistência à vida prosaica puramente utilitária e que se manifesta na busca de uma vida poética, dedicada ao amor, à admiração, à paixão e ao convívio. Guardia, escritor venezuelano, observa que se torna indispensável descobrir e recuperar o que é viver poeticamente, que inclui, vamos lá, uma grande quantidade de gargalhadas.

Viver poeticamente é, no entender de Rojas, criar momentos do dia para focalizar a atenção dos sentidos para o canto de um pássaro, para o sorriso de uma criança e para o brilho no olhar de uma amiga. É esta sinfonia de detalhes que habitualmente se encontra mais próximo da natureza e transforma o quotidiano num baú a descobrir para renovar a disposição de espírito. Weil escreve que somente a atenção plena, tão plena, passível de fazer o eu desaparecer, isto é, privar a tudo o que se chama eu da luz da atenção, dirigindo-a para o inconcebível, é capaz de libertar a vontade.

Heidegger aprofunda este conceito de vida poética, inspirando-se no verso “poeticamente o homem habita”, do poeta germânico Hölderlin. Se levarmos em conta que habitar se refere aqui ao habitar do ser humano sobre a terra, não será então a poesia que possibilita ao habitar dentro de quatro paredes ser um habitar? E que quererá dizer co-habitar poeticamente a terra? Hölderlin escreve “Junto ao coração” o verso seguinte, o que aponta para a essência do ser humano em medir-se com o divino. E se este medir-se for consequência da vontade consciente, o humano habita a partir do poético e habita a terra humanamente.

Poderá a escrita de poemas estar associada a habitar a terra humanamente? Neste artigo, de âmbito exploratório, iremos, com olhar de psicólogo numa comunidade, debruçar-nos sobre as aprendizagens, os princípios teóricos e as observações sobre o projeto txon-poesia, que sonhámos e apresentámos em primeira instância ao Camões IP, Polo de Mindelo, Cabo Verde. Faremos um balanço reflexivo dos resultados de quatro anos de atividades em torno da poesia e poética com a comunidade que fomos criando e mobilizando, propondo respostas às perguntas que colocámos e que foram surgindo ao longo da curadoria das atividades, tendo por base o sentido experimental e a dinâmica não formal que caracteriza o projeto. Sonhámos inspirar, deste modo, a comunidade a viver poeticamente.

Como colocar a poesia em ação?

Chegáramos a Mindelo, Cabo Verde, no dia 5 de setembro de 2016, ao abrigo do Serviço Voluntário Europeu, promovido pela Comissão Europeia. A missão de voluntariado tinha a meta de fortalecer os laços sociais entre europeus e africanos, através de uma série de tarefas que o grupo de voluntários – éramos cinco – foi realizando, à medida das necessidades que a instituição que nos acolheu ia percebendo e sentindo, mediante a relação que mantinha com a sua comunidade próxima. Uma das necessidades identificadas foi a de observar e avaliar o crescimento e desenvolvimento de cagarras jovens, uma espécie de ave marinha endógena de Cabo Verde, com nome científico calonectris edwardsii.

O objetivo do grupo de voluntários era preservar esta espécie ameaçada e, nesse sentido, as tarefas seriam implementadas numa das ilhas desertas do arquipélago, o Ilhéu Raso, onde nos esperavam dois voluntários cabo-verdianos. Em toda a ilha havia duas tendas e mantimentos. Vivemos aí durante dez dias. A única maneira de chegar e partir da ilha era de barco. A rede para comunicar com alguém que estivesse fora da ilha era escassa e os cabo-verdianos avisaram-nos que só conseguiríamos ter um pouco de rede, se nos elevássemos e, para isso, teríamos de subir a uma pequena rocha, andando um pouco para lá de onde estavam situadas as tendas. Esta é a experiência que mais me marcou no decurso do voluntariado, sobretudo porque me revelou:

EU NÃO (SOBRE)VIVO SEM A COMUNIDADE

HÁ UM ESPAÇO NA COMUNIDADE ONDE POSSO SENTIR-ME LIVRE

Ao longo dos dez dias de co-existência e convivência, haviam regras que cumpríamos, para que tudo pudesse funcionar como previsto, mas havia momentos em que – sem que se dissesse em voz alta ou avisasse o grupo – cada um tirava o tempo e o espaço para a sua liberdade pessoal. Num desses momentos, ao final de uma tarde amarela-alaranjada, estávamos solitários, sentados numa rocha em frente ao oceano a ler Lonesome traveller (1960) de Jack Kerouac e, num dos últimos relatos do livro, “Alone on a mountaintop”, escrito no pico de uma montanha que o escritor havia trilhado em busca de solidão, há um trecho em que ele canta, em tom de oração, ‘What is a rainbow, / Lord?’ [O que é um arco-íris, Senhor?]

Este momento específico talvez possa designar aquela iluminação de que se fala, quando se lê um texto, sobretudo poético, em poesia ou prosa, e esse texto devolve velocíssima, incisiva e impiedosamente o leitor ou a leitora a si mesmo e a si mesma. Devolve a um lugar psicológico ou, arrisquemos, espiritual, às vezes inconsciente, situação para a qual não se estava sequer preparado, na qual o próprio texto acabar por nos ler a nós próprios e a devolver-nos a uma nova profundidade ou novo estado de espírito e renovado sentimento de coesão identitária. Não é a primeira vez que nos acontece esta reação ao ler um texto e é, inclusive, critério que levamos em conta na análise de um poema: arrepia ou não arrepia? Poema é canto e canto é voz e voz é expressa pelo corpo e corpo compõe identidade.

Segundo Coleman, a leitura e escrita de poesia possibilita a sistematização de ideias complexas, facilitando a compreensão da mensagem e a comunicação oral e escrita a outras pessoas; o entendimento de si próprio, do mundo e dos sentimentos e motivações dos outros; o sentimento de compaixão; a desinibição nos relacionamentos sociais; a criatividade; a criação de soluções alternativas de pensamento; o sentido de beleza no quotidiano e o significado e propósito na vida, contribuindo para a realização pessoal.

O projeto txon-poesia nasce da vontade de partilhar sensações, sentimentos e estados de espírito relacionados com a leitura e a criação poética, aliada à necessidade que a comunidade expressou e validou. Não havia espaços na cidade nem na ilha de São Vicente onde fossem organizadas atividades em torno da poesia e da poética com regularidade. Depois da primeira atividade, Jam de Poesia, a 17 de fevereiro de 2017, em que foram lidos e performados poemas de Nuno Moura, José Mário Branco, E. M. de Melo e Castro e Corsino Fortes, o feedback foi positivo e houve sugestões de que o trabalho fosse continuado e ampliado a outros espaços da cidade, que mais tarde foram acolhendo as atividades mensalmente e, no primeiro ano de curadoria, semanalmente. O Camões IP foi a instituição parceira que mais atividades acolheu até agora.

Depois de ter sido um projeto pessoal de voluntariado, assim que o período de Serviço Voluntário Europeu terminou, o projeto passou a ser uma programação que assumimos de forma independente e com espírito associativo, tendo por base os relacionamentos amigáveis que começáramos a estabelecer lá. Por outras palavras, as parcerias feitas com o projeto têm sido na sua maioria informais, o que tem resultado em maior rapidez e eficácia, dado que assentam na base da confiança. O desafio ao qual nos propusemos então e a nova pergunta com que nos deparámos e continuamos a fazê-lo foi e é: como colocar a poesia em ação, no sentido de a reaproximar das pessoas e reaproximar poetas e polis?

A experiência estética contemporânea da poesia estende-se, no entendimento de Carmelo, tanto ao processo poético como à manifestação de poesia e, neste seguimento, as atividades foram projetadas para mostrar diferentes linguagens artísticas que pudessem dialogar com as diversas características dos variados tipos de público. A título de exemplo, tanto se realizou um happening com leitura coletiva improvisada do poema “Uivo” de Allen Ginsberg, para o qual convidámos participantes a ler connosco na hora, como se fez a projeção do filme Paterson de Jim Jarmusch e se organizam apresentações de livros, como Sedutora tinta das minhas noutes do poeta Jorge Carlos Fonseca, atual Presidente da República de Cabo Verde.

Tal como parece acontecer também no Brasil, o ofício de poeta em Cabo Verde está umbilicalmente ligado à vida pública, à defesa de causas humanas e mesmo políticas, a avaliar, por exemplo, pela quantidade extensa de atividades organizadas de slam e de spoken word em ambos os países, assim como pela obra dos poetas Onésimo Silveira, também Presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Cabo Verde, e Oswald de Andrade, no caso brasileiro. Portanto, a realização de projetos ligados à vida das comunidades, como o txon-poesia, deverá ser entendido, em primeiro lugar, como extensão daquilo que a própria cultura cabo-verdiana respeita, reconhece e valoriza.

Ainda no âmbito da programação, foram e são também acolhidas e produzidas sessões de spoken word, apresentação de projetos de literatura ligados a comunidades, leituras, performances, espetáculos de teatro, oficinas, conversas, exposições, showcases, não esquecendo atividades para crianças e famílias. No que diz respeito às crianças e jovens, estudos realizados por Guedes, Michalko e Hughes mostram que a leitura e escrita de poesia fortalece os cinco sentidos, a aprendizagem da leitura e da escrita, a concentração, a imaginação e a capacidade de criar, a memória, o prazer na leitura e na escrita, a confiança e a identidade pessoal.

Ademais, a criação poética permite a pessoas de todas as idades uma construção de  narrativas pessoais e a emoção partilhada, o que reforça o sentido de pertença e de ligação à comunidade e promove a aceitação dos outros, da sua individualidade e das diferenças humanas. Observámos que, além da programação, o modo como trabalhamos o processo foi-se revelando essencial. Isto é, sempre se procurou manter uma atitude positiva e aberta a todas as pessoas que chegavam para as atividades, sem julgamentos de ordem estética nem técnica – pelo menos no contacto inicial –, chegando a fazer por vezes silêncio, na medida em que a curadoria se focalizava em abrir linhas de diálogo e, portanto, de sentido, colocando mais perguntas e intervindo com o mínimo de respostas possível.

Quando se faz silêncio, abre-se um espaço de fala que o outro pode ocupar, procurando por si próprio as respostas ou dialogando com as outras pessoas da comunidade, caso a pergunta fosse aberta ao grupo, o que tem acontecido várias vezes. Este é outro dos objetivos: abrir um espaço e tempo adequados para a partilha e para que todos e todas possam participar, expressando-se, através da leitura de um poema e, a partir do efeito cognitivo-emocional que o poema provoca no público, assim como o tema abordado no texto, possibilitar maior consciencialização social e política. Muitas vezes, as leituras são acompanhadas por reflexões individuais sobre o processo criativo, sobre temas que atravessam a atualidade e a curadoria habitualmente provoca o público de modo positivo a pensar sobre soluções para as problemáticas levantadas, inspirada no simbolismo do curinga – ver mais abaixo, na secção do Teatro do Oprimido.

Um reinício dum mundo

A dimensão comunitária do projeto txon-poesia fica evidente neste exemplo que aconteceu numa das sessões mensais do Spoken Word Mindelo, na qual um rapper e slammer acabou por confrontar, de modo não violento, um professor que participou. A provocação do rapper para com o professor consistiu em perguntar-lhe porque é que os professores cabo-verdianos não integravam e não lecionavam mais autores cabo-verdianos nas suas aulas, além dos reconhecidos internacionalmente.

Aqueles autores, tais como Sergio Frusoni, João Vário, Luís Romano e Henrique Teixeira de Sousa, menos reconhecidos do que os constantes nos livros escolares, que escreveram em crioulo, no caso do primeiro, e cujas obras são interventivas quanto a realidades da sociedade cabo-verdiana, tais como o racismo estrutural, a atitude submissa perante os estrangeiros e a corrupção e, portanto, mais desafiadoras para alunos e até professores. Gerou-se um debate rico de ideias novas, no qual o professor ganhou consciência da liberdade curricular e que pode optar por lecionar outros autores e autoras, inclusive em crioulo, caso queira.

A língua é flor que se abre na boca. E cada qual com a sua. Há tantas línguas consoante as bocas que há e parece-nos pretensioso da parte de instituições que promovem a cooperação perpetuar o silenciamento relativamente às línguas maternas. Por isso, aqui se defende que o conceito lusofonia, mais do que um acordo financeiro já pouco disfarçado, no qual quem mais lucra é quase sempre do hemisfério norte, deverá ser repensado, senão mesmo substituído, tendo por base de pensamento o valor da língua e, naturalmente, da cultura ou, neste caso, considerar e atuar numa dimensão intercultural, de diálogo horizontal e de solidariedade. Isto é, sem o desejo de exercer poder sobre o outro ou de achar que tem de o salvar de alguma forma.

Frantz Fanon já nos havia iluminado a consciência sobre isto no livro Pele negra, máscaras brancas (2017), no qual ele refere que o negro não precisa ser salvo pelo branco e o branco não deve achar que tem a obrigação de salvar o negro. Ideia profundamente esclarecedora e libertadora. A descolonização enquanto processo cultural e social dos negros em reação à opressão histórica dos brancos, e enquanto processo cultural e social dos brancos, enquanto agentes da reposição da verdade histórica. Contudo, consideramos que vai demorado um pedido de perdão oficial, por parte dos governantes portugueses, à semelhança do que, por exemplo, os alemães fizeram relativamente ao holocausto nazi: um pedido de desculpas público. Primeiro passo que poderia ser seguido da construção de monumentos e museus dos quais a população saísse com a consciência de que a escravidão não pode jamais existir de novo.

Além da dimensão cultural que mencionámos acima, a dimensão artística do projeto foi fortemente influenciada pelo trabalho do teatrólogo Augusto Boal, em específico no que toca ao Teatro do Oprimido. Esta técnica teatral nasceu nos anos 60 no Brasil, em reação à opressão ditatorial, articulando com o objetivo de potenciar o desenvolvimento da criatividade em não atores, da expressão de problemáticas da comunidade e encontrar nas sessões de teatro-fórum um espaço de debate e participação transformadora. Ao apresentar situações concretas de conflito do dia a dia da comunidade e ao quebrar a quarta parede, alguns espetadores são convidados a subir ao placo para resolver o conflito apresentado. Esta técnica é chamada pelo próprio Boal (1991) de “poética da libertação”.

Nesse seguimento, criámos o Núcleo de Teatro Fórum do txon-poesia, que realizou diversas formações em Teatro do Oprimido na ilha de São Vicente e esta é uma referência que inspira as restantes atividades a tornarem-se mais participativas, sobretudo pelo simbolismo do papel do curinga (formador) no teatro-fórum, que adota uma atitude permanente de questionamento dos participantes, mais do que fornecer respostas prontas. Corroborando o que já foi escrito, esta atitude demonstrou ter uma maior eficácia, porque, ao fazer perguntas, a comunidade automaticamente procura por ela mesma as respostas que precisa encontrar.

Nessas outras atividades, acontecia que a partilha de um poema trazia emoções ao de cima e habitualmente quem se emocionava recebia uma salva de palmas da plateia. Um clube de poetas vivos. Criar a comunidade de escritores, leitores e obreiros em torno da palavra poética foi possível graças a uma crescente consciência da diversidade cultural e da procura da comunicação horizontal nos processos. Outro exemplo: no âmbito do Festival Internacional de Poesia e Poética em Mindelo txon-poesia 2018, organizámos uma conversa sobre ‘Poesia e religião’, onde juntámos numa mesa um dos nomes mais reconhecidos da poesia cabo-verdiana Filinto Elísio e o Pde. João de Brito, antigo diretor da Escola de Salesianos de São Vicente.

Dessacralizar, deselitizar, descentralizar poesia. Deste modo, aumentámos os índices de leitura e criação poética no país. Por criação poética, entendemos desde o início que pode ser a escrita, a dramatização e os diálogos potencialmente infindos da palavra com outras artes. A beleza, no sentido estético e ético, está no modo como se faz. ‘Fazer’ é o significado etimológico de poesia (poiesis, do grego). Remete-nos, portanto, à feitura e ao processo de criar, tal como um artesão labuta a matéria. Por sua vez, poeta é quem labuta a palavra e a criação. E o ofício também se aprende. Partilhamos a convicção filosófica de Agostinho da Silva (2009), que a fazemos nossa também, de que toda a gente que nasce é, de alguma maneira, poeta, porque inventa alguma coisa que não havia no mundo ainda.

A dimensão educativa do projeto foi pensada a partir da teoria e prática proposta pela Pedagogia do Oprimido e recorrendo às dinâmicas da Educação Não Formal. Como refere Paulo Freire, é no mundo, na rua, que reinicia um mundo da participação cívica e ativa, em que todos podem ensinar todos, com base na bagagem psicológica e experiencial de cada um, quer seja a participar numa oficina de spoken word, quer seja a contar estórias, como as pessoas mais velhas costumavam contar e com as quais aprendemos sobre a cultura cabo-verdiana e o passado colonial. A cidade-território que sustém a possibilidade da expressão, da escuta e do diálogo, é fonte vital de aprendizagem, daí que tenhamos organizado duas edições do txon-poesia, Festival Internacional de Poesia e Poética em Mindelo, em 2018 e 2019, levando atividades a diversos espaços e ruas da cidade de Mindelo e da ilha de Santo Antão, onde a atividade cultural rareia.

Além disso, escrever é também educar-se: ao abrir-se às possibilidades infinitas da escrita na multiplicidade de suportes disponíveis, desde o papel à parede mural, educa-se a resiliência e a habilidade de percorrer e escolher caminhos diversos no imaginário escrito e lido. O imaginário nasce habitualmente de uma necessidade de quem escreve, e daí tem-se que uma necessidade requer soluções. Aqui se joga um futuro ou mil, partilhados com quem lê e escuta. Há escritores e escritoras, porém, que escrevem para provar a alguém que escrevem, embora a leitura dos seus textos não provoque qualquer reação cognitivo-emocional em quem lê. Se isto acontece, é pois porque quem escreve não tem, na realidade, nada a dizer, ou seja, não sente que precisa verdadeiramente de escrever e que a escrita é uma necessidade para se sentir vivo.

Parece-nos haver mais razões que, no que diz respeito à formação do próprio poeta, podem fazer com que isto aconteça, tais como: falta de leitura de obras de outros/as poetas, a procura da aceitação por um meio literário, dificuldades em comunicar de forma assertiva – falta de voz própria –, a procura da aprovação de editores/as, comparar-se e, por vezes, imitar outro/as poetas, entre outras razões, mais ou menos relacionadas entre si. É no espaço e no tempo em que se lê um livro que a poesia pode comunicar com a experiência de quem lê, se também olhamos para o ato de escrita e de leitura com a dimensão performativa que têm.

Neste sentido, não existe voz própria sem antes haver pensamentos percecionados pela própria pessoa como livres, produzidos sem ser alvo de qualquer tipo de julgamentos. A título de exemplo, recordo uma professora, sempre preocupada em transmitir os conteúdos programáticos, que, ao fim de algum tempo, se queixava que a turma a que lecionava passou a apresentar sinais, mais ou menos globais, de estar desmotivada para o que quer que fosse. Entretanto, uma das alunas da turma foi premiada num concurso de poesia interescolas, promovido pelo Camões IP, para o qual havíamos submetido a candidatura de alguns alunos e alunas que quiseram, sem pressões adicionais, participar, na sequência da Atividade de Enriquecimento Curricular que lecionávamos com a turma, na qual fomos trabalhando as letras e as palavras em conjunto com outras expressões artísticas.

Perante a situação da aluna vencedora, a professora ficou espantada como se havia conseguido a “proeza”. A aluna era tida como não participativa nas aulas dessa professora e muito menos se predispunha a ler em sala de aula. Como é que (aparentemente) havíamos conseguido? Em primeiro lugar, a professora devia ter dirigido a pergunta à aluna vencedora, para ter oportunidade de adequar as suas estratégias pedagógicas, o que melhoraria a relação com a turma. Em segundo lugar, uma vez que a pergunta nos foi dirigida, explicamos a abordagem e as estratégias de trabalho adotadas, derivadas de pesquisa pessoal e recolha feita ao longo das oficinas que fomos orientando, tais como: jogos não formais para desbloquear a expressão individual oral e escrita e, pouco a pouco, cada aluno se sente mais à vontade para revelar experiências pessoais, memórias e pensamentos: alicerces que possibilitam a construção de uma voz própria. Livre.

Para uma poética da esperança

A possibilidade de expressar o que pensam e o que sentem não é instigador apenas para crianças, mas também para adolescentes, adultos e pessoas mais velhas. E as oficinas de teatro e de criação poética são um tempo e um espaço privilegiado para libertar e aprender a dar forma a essa expressão criativa. O conhecimento da realidade e das perceções de cada um e de cada uma vai sendo progressivamente aprofundado, à medida que se escuta as diferenças singulares, até que, a dado nível de profundidade compartilhada no diálogo, a realidade já se exibe poética que baste e dará muita da inspiração que se procura. O trabalho repetido de construção textual convoca, revela e modela essa profundidade, como totalidade identitária.

Carnevali refere, no texto “A emergência do teatro em tempos de coronavírus”,  traduzido por Tereza Bento, que “o fracasso da comunicação é o fracasso da política, como do teatro”. E a realidade parece estar a superar a dimensão metafórica e poética do teatro, que nos fascina enquanto espetadores. Outro conjunto importante das atividades que se acolhem e também se produzem no projeto txon-poesia são performances, espetáculos de teatro, leituras, improvisos e sessões de teatro-fórum. Desde o início, a curadoria projetou a ideia de procurar um teatro que pudesse e possa manifestar-se poético.

Para esboçar esse método do qual pudesse resultar um teatro que possa, então, dialogar mais com o público de um modo mais amplo, a investigação das teorias e práticas de Boal, já mencionado, assim como de Artaud, Müller, Lehmann e Becerreá, orientou-nos, juntamente com experiências de trabalho com grupos e comunidades, com e nos quais se apresentaram sessões de teatro-fórum, espetáculos de teatro, performances interiores e na rua, consolidando as dinâmicas de trabalho no Coletivo de Teatro txon-poesia em alguma práticas que se foram repetindo:

(a) basear o trabalho em problemáticas sociais e políticas que dizem respeito a todo o grupo e com as quais o grupo se identifica;
(b) trabalhar de forma colaborativa em todos os processo de produção;
(c) utilizar técnicas, como a contação de estórias, a spoken word e textos de referências diversificadas, juntamente com elementos dramáticos.

Num artigo de Silva e Baumgartel, ambos colocam em relação o Teatro do Oprimido e o Teatro Pós-dramático, notando que os dois fazeres teatrais convergem na procura de dialogar com o público e com a sociedade, embora o primeiro o faça com a quebra da “quarta parede” – o espetador sobe concretamente ao palco e intervém na cena, tornando-se espet-ator – e o segundo ainda esteja a tentar consegui-lo. Parece que é no aspeto de “transgressão política” que Lehmann e Boal melhor coincidem, pois ambos os fazeres partem de propostas dos atores e do grupo e, neste ponto, abrem a possibilidade de expressar as suas próprias regras, leis e dinâmicas de forma não upside-down e sim bottom-up.

Por um teatro que faça ver as entranhas. Depois das grandes revoluções e após as Grandes Guerras, no entender de José Mário Branco, a criação artística passou a pender entre a estética e a técnica: a ética dissolveu-se e o tripé da arte caiu. Para Sartre, a noção de que a vida é finita é o que leva à busca do sentido da própria vida. Dois aspetos, no nosso olhar, edificantes: ética e morte. Que para Aristóteles são duas noções interligadas, já que

SEREI LIVRE QUANDO ACEITAR QUE VOU MORRER UM DIA

Somos sobreviventes. E, se o teatro é encontro físico de corpos, a performatividade passa a assumir nova relevância: o fazer teatral que ora se expressa pelos buracos da ‘quarta parede’ ora acolhe e interpreta as ressonâncias e os efeitos cognitivo-emocionais: uma experiência teatral que seja relevante, que abra milhões de sentidos, a partir daqui e d’agora. Um vislumbre de beleza para a polis, na polis, com a polis. Burroughs cantou “The theatre is closed”, mas já estava fechado à imaginação muito antes. Cara que vê, corpo aceso: Artaud assemelhava o teatro à peste, quanto à capacidade que ambos têm de colocar as coisas a nu. Nudez, enquanto despimento de artifícios que, muitas vezes reforçam o muro entre palco e plateia, bloqueando o diálogo e o fortalecimento do sentimento de pertença à comunidade.

Um país para a língua

Fase I: descrer.
Fase II: confrontar.
A favor da experiência. Da liberdade da experiência. Da liberdade de pensar, de expressar, de agir. A arte não salva. O amor sim. Mas é mais uma disposição do espírito. A missa não salva. A espiritualidade sim. Solidão e silêncio. Desligar o chat por um tempo. Políticos não salvam. A política sim. Quando as leis são feitas pelas pessoas. Pelas comunidades. A família não salva. Apenas te conhecem há mais tempo. De resto, estão igualmente perdidos. Deus não é o velho de barbas que espreita por cima das nuvens. Quando orares, dirige-te ao vento que faz nesse momento. Ou ao mar. Ou à corrente de água do rio. Ninguém te ama. Ama o que tens, ama o que fazes e o que dizes, ama o que dás. Ninguém te merece. Não mereces ninguém. Não te ensinaram a ser empático.
Fase III: (por favor, complete o raciocínio)

Neste momento da história mundial que atravessamos, os discursos quotidianos parecem atingir rapidamente certo limite de saturação e a sensação que transmite é de que, de um modo mais ou menos explícito, nenhum é capaz de superar os limites da própria língua, dos preconceitos, dos estereótipos e dos vícios intelectuais, tanto que o discurso poético nos parece ser o mais eficaz, entre discursos. Dito de outro modo, o único a ser capaz de abrir espaços de pensamento para territórios desabitados da língua, de abrir possibilidades para o pensamento dialético e não para a polarização, sublinhada pelo ódio. A possibilidade pressupõe a escuta ativa e um esforço empático, ou seja, o de se imaginar no lugar da pessoa com quem se conversa. Talvez por isso tenha aumentado o número de escritores durante a pandemia. Por necessidade de expressar-se e parece-nos, pelo que observamos nas redes sociais, que essa é, em si, um sinal claro de que a caminhada que se nos afigura pela frente deverá passar pelo respeito pela singularidade de cada pessoa.

No que diz respeito ao projeto txon-poesia, estamos a repensar uma programação que possa chegar à comunidade física e à comunidade online. Apesar de estarmos convictos de que, tal como o teatro, a experiência poética se faz na presença dos corpos e de corpo presente, olhos nos olhos, temos organizado atividades online, tal como a iniciativa “Poesia, só a vida”, em que convidámos pessoas que gostam de ler para nos enviarem vídeos com poemas seus ou de autores/as que gostem e divulgámos nas nossas redes sociais. Organizámos a conversa “De onde venho para onde vou” com Patrícia Lino, onde a poeta, professora e investigadora apresentou os seus recentes trabalhos, não só de poesia mas de âmbito ensaístico, e editámos e publicámos,  outubro passado, o número #000 da Revista txon.

A Revista txon surge como extensão do trabalho realizado junto da comunidade física e da comunidade online que entretanto continuamos a descobrir. Surge como materialização digital das dinâmicas que temos trabalhado desde 2017, no sentido de construirmos um tempo e um espaço humanizado, não só a nível cultural, como a nível literário, tendo já possibilitado o diálogo entre dezenas de poetas e artistas cabo-verdianos, portugueses, guineenses, brasileiros, galegos e angolanos. Não há diferenciação quanto aos participantes nem pela língua nem pela cor nem pelo género nem pela orientação sexual nem pela religião nem pela idade nem pelo estatuto socioeconómico, o que tem provocado situações surpreendentes e ricas a nível cultural, educativo, artístico e social, por se estar presente sobretudo por amor à palavra poética.

Organizámos em 2017 e em 2019 o concurso nacional de poesia para autores e autoras cabo-verdianos não-publicados e, no total de ambas edições, selecionámos e publicámos oito poetas cabo-verdianos novos, com poemas em crioulo (e traduzidos para português) e português. A primeira edição da antologia “Poetas para o Ano Novo” foi publicada em parceria com o Camões IP, Polo de Mindelo, num formato artesanal, de cordel, e a segunda edição foi publicada em parceria com a Editora Urutau (Brasil-Galiza). No processo de seleção de poetas tem participado um júri composto por poetas e editores cabo-verdianos, portugueses e brasileiros, nomeadamente Filinto Elísio, Inês Ramos e Wladimir Vaz, respetivamente.

Para terminar, reacendemos a questão que Lino levanta no ensaio “Dentro da boca é escuro”: o que haverá depois do fim do mundo? A partir da procura, aprendizagem e experiência com a comunidade txon-poesia, reforçamos que quem trabalha diariamente com a palavra deverá adotar uma atitude mental e processos organizacionais assentes numa perspetiva transdisciplinar, de escuta empática e com a humildade dos que não têm nada que possam perder e, por isso, já ganharam, no sentido de que se vão permitindo crescer mais um pouco em hospitalidade humana.

E, cantando com a poeta cabo-verdiana Vera Duarte, a primeira poeta reconhecida no país, a literatura é um direito humano.

Obras citadas

Artaud, Antonin. O teatro e o seu duplo.[1938] Lisboa: Maldoror, 2018.

Becerreá, Afonso Becerra de. Confio-te o meu corpo: a dramaturgia pós dramática. A Coruña: Através Editora, 2018.

Blasted Mechanism ft. Agostinho da Silva. “Start to Move.” Mind at Large, Vidisco, 2009. Spotify, open.spotify.com/track/57fiBkRcqXTFBaChrEB9zu?si=02e2fe149b1e4fd6.

Boal, Augusto. Jogos para atores e não atores. Civilização Brasileira, 2000.

Boal, Augusto. Teatro do oprimido e outras poéticas políticas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991.

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Adaptação do ensaio publicado originalmente em 2021 na revista Mester

José Oliveira Pinto

José Oliveira Pinto (Vila Real, Portugal, 1988). Poeta, dramaturgo e performer, autor dos livros Humanus (Corpos, 2015), TOCA (UMCOLETIVO, 2021), Chá para o nevoeiro (Urutau, 2021) e Pôr os olhos no caminho (Nova Mymosa, 2021). Adaptações suas para teatro foram produzidas pelo UMCOLETIVO, tais como “Segundo sacrifício: um exemplo para João Vário”, que estreou no Palácio da Cultura Ildo Lobo, Cabo Verde, “Onde vive Blimundo” na Antena 2, Portugal, e “JúliA”, com encenação de Daniel Gorãjo, na RTP 2, Portugal. Psicólogo com formação em Artes Cénicas pelo Camões, IP, é mestrando em Cultura e Comunicação na Universidade de Lisboa. Diretor artístico da Associação txon-poesia.
https://josepinto.net

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